Contínua desde que trouxeram os gráficos poligonais para os arcades e consoles, a série Virtua Fighter foi pioneira na era 32-Bit e sobreviveu com muita qualidade mesmo com a Sega conseguindo estragar várias de suas clássicas franquias. Ela é uma das poucas cujas medis de nota se manteve bem alta ao longo dos anos – até mesmo aquela versão capada de Virtua Fighter 2 de Mega Drive surpreendia com seus gráficos 2D. Na era HD, Virtua Fighter 5 teve uma excelente estreia – melhor ainda no Xbox 360, já que era a única versão com suporte online. Mas isso foi há mais de cinco anos. Isso mesmo: meia década se passou, e agora o game retorna em sua versão final, Final Showdown, sem muitas novidades, mas com a mesma qualidade que lhe é costumeira.
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| Areia sempre entra nos piores lugares |
Final Showdown foi lançado nos arcades em 2010, trazendo muitas melhorias voltadas à gameplay, incluindo novos golpes, animações, e mais. Essa mesma versão recebeu outras modificações e foi relançada como Revisão A, e com base nela que os consoles recebem sua edição. A grande notícia boa é que VF5: Final Showdown foi lançado exclusivamente por download e seu preço é por demais atraente: US$ 15 (grátis se você for assinante da Plus).
Esse, inclusive, é seu grande atrativo. Afinal de contas, estamos falando de um jogo que visualmente é inferior a outros lançamento mais modernos como Soul Calibur V e o vindouro Dead or Alive 5. Mais por 15 verdinhas vale muito a pena reacender a velha rivalidade dos arcades, cujo gênero (luta 3D) foi popularizado por Virtua Fighter, ainda mais estando diante de um game de alta qualidade como esse.
O maior problema em Final Showdown é que os modelos não receberam nenhuma melhoria. Não que o jogo seja feio, mas estava na hora de modernizar os efeitos de iluminação do game. Além do tom de pele ser meio irreal, às vezes os personagens possuem um brilho como se fossem de plástico. Essa foi uma das nossas poucas reclamações na época do review de Virtua Fighter 5, e a Sega não alterou esse aspecto. Felizmente é algo que não atrapalha em nada na gameplay, onde o jogo realmente brilha como poucos.
Final Showdown traz de volta todos os 17 personagens do game original, mais um de Virtua Fighter 3 (Taka-Arashi, lutador de sumô) e um estreante (o carateca francês Jean Kujo). Como de costume, cada personagem possui seu próprio estilo de luta, variando do ninjutsu ao vale-tudo, passando por luta livre, kung fu entre outros. VF utiliza muito bem a captura de movimentos e oferece animações suaves e praticamente sem quebras. Você mal percebe que um golpe terminou o outro começou tamanha a naturalidade da maioria dos movimentos – principalmente em agarrões. Lutadores reagem de acordo com a força do golpe, e a física do jogo, embora não muito realista, é bastante satisfatória para a proposta arcade do game. Um probleminha de colisão aqui e outro ali pode ocorrer, mas tudo totalmente perdoável.
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| Essa nova versão é cheia dos guéri guéri |
Os cenários de luta foram um aspecto bem alterado nessa versão. Isso porque agora alguns deles oferecem mudanças dinâmicas. Entre um round e outro, uma arena que antes era fechada pode ficar a aberta com a queda de grades. A incidência do Ring Out ficou bastante limitada a poucas arenas abertas, já que quebrar essas barreiras é bem difícil. Melhor para quem prefere que a conclusão das lutas seja pelas barras de energia.
Apesar de o jogo só usar dois botões de ataque (soco e chute) desde os primórdios, engana-se quem acha que ele não é profundo e variado. Existem vários tipos de combos possíveis e os socos e chutes podem variar quando executados juntamente com o direcional. Além disso, o botão de defesa usado com chute e chute+soco realiza outros golpes, enquanto soco+defesa, com ou sem direcional, é o comando para os agarrões. Há também a esquiva, que adiciona "profundidade" (literalmente) às lutas, permitindo que se saia da frente de um golpe para encaixar seu próprio ataque. Final Showdown utiliza um sistema muito equilibrado de combos, sendo fácil executar uma sequência de até quatro golpes, o que dá para um novato brincar. Mas quem deseja algo mais, pode superar esse limite com bastante prática.
Para acertar o oponente mais vezes sem que ele possa se defender é preciso mais habilidade, aproveitando quando ele der com as costas em alguma limitação do cenário, perder o equilíbrio com algum golpe mais forte ou for jogado para o alto (o famoso combo juggle). Há ainda contra-golpe, mas apenas para certos lutadores. Isso tudo é suficiente para oferecer uma gameplay sólida, com lutadores extremamente equilibrados, cada um no seu estilo e características (mais pesados e lentos são sempre mais fortes, enquanto mais leves e ágeis são sempre mais fracos). É um jogo que sobrevive muito bem sem armas e sem hadoukens, obrigado.
Em termos de modo, Final Showdown oferece algumas opções dentro do Single Player (para um jogador) como o velho arcade, onde, infelizmente, não temos nenhuma história, nenhum desfecho. Virtua Fighter sempre foi bastante "seco" nesse sentido, e embora saibamos a história dos personagens e do próprio jogo pelo manual, nada é dito dentro do game. Todo mundo conhece a Mishima Zaibatsu e a Shadaloo, mas alguém conhece a J6? Já estava na hora da Sega colocar um modo história como nos atuais jogos do gênero. Quem sabe em Virtua Fighter 6?
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| Uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhlálá! |
Além do arcade, há ainda o Score Attack (o mesmo que arcade, só que com tempo ainda mais limitado) e o License Challenge, que é uma espécie de semi-tutorial com cerca de 50 desafios distintos. São lutas completas, mas é preciso vencê-las obedecendo condições como "desvie 5 vezes", "aplique um ofensive attack", e coisas do tipo. Esse modo habilita em certo ponto o survival mode. Por último, há o Special Sparring, onde se enfrenta uma série de personagens customizados e temáticos. No entanto, essa modalidade só está habilitada para quem comprar todos os pacotes de customização dos 19 personagens, pela bagatela de US$ 30 (dois packs, preço promocional) ou US$ 5 cada. Ao menos fica a dica que cada add-on individual dos personagens traz até mais de 30 itens customizáveis, incluindo cabelos, roupas, calçados e outros acessórios mais exóticos. Em geral, é possível personalizar seu lutador preferido com centenas de itens diferentes, colocando até mesmo Tekken Tag 2 (arcade) no chinelo.
O Dojo é o melhor lugar para se aprender todas as minúcias do jogo. Apesar de ser ideal para novatos, os jogadores veteranos não foram esquecidos, e o Dojo traz até mesmo contador de frames que se permite dominar o timing dos golpes mais complexos. Além disso, é possível enfrentar uma CPU personalizada, que vai atacar aleatoriamente com alguns comandos pré-selecionados. Nada como treinar com alguém que, vira e mexe, repete seus próprios movimentos, hã?
Final Showdown também marca a estreia do modo online no PlayStation 3. Mesmo enfrentando americanos, conseguimos boas conexões, e mesmo quando as lutas tiveram alguns lags conseguimos jogar razoavelmente bem. Nenhuma partida foi totalmente livre de lag, enquanto nenhum lag nos atrapalhou a ponto de decidir a partida. Nas partidas rankeadas é possível subir de "grau" (kyu, dan), como ocorria no modo offline de VF5.
Sólido como de costume, Virtua Fighter 5 Showdown é uma excepcional opção de jogo de luta por meras 15 doletas. O modo online, apesar de não ser perfeito em termos de conexão, funcionou razoavelmente contra oponentes nos EUA, o que já foi uma grande surpresa. O game oferece um modo treino bem completo, com direito até mesmo a contagem de quadros. Sua quantidade de itens para customização deixa qualquer oponente na lona – só lamentamos mesmo ter que pagar US$ 30 extras por eles. Nossa única tristeza fica por conta da ausência de um modo história nos moldes dos games atuais. Mas ainda assim está valendo o investimento.
[Nota geral: 8,5]