Quando o primeiro Prototype foi lançado, ele sofreu com diversos problemas. Primeiro que seu visual não era lá grandes coisas – na verdade, para os mais exigentes, ele podia até causar certo asco. Segundo que, pelo menos no PlayStation 3, ele já tinha a concorrência do primeiro inFamous, um título basicamente do mesmo gênero mas que tinha um acabamento muitas vezes superior. Mas ainda assim, ignorando suas precariedades, Prototype tinha uma gameplay frenética, do tipo que pode agradar aos jogadores – como uma boa sensação de velocidade e de poder.
Para o caso de vocês não conhecerem, o game era protagonizado por Alex Mercer, um super-anti-herói, na ocasião amnésico. Ele foi uma cobaia da GENTEK, a organização que espalhou um vírus na cidade de Nova York que matou milhares e transformou outros milhares em criaturas mutantes e bizarras. O game possui uma história bem atrelada e mais complexa do que parece. Mas a trama pode resumida como a velha teoria da conspiração, onde empresas privadas tentam criar uma arma biológica e isso acaba perdendo o controle. Resident Evil feelings? É por aí mesmo. A diferença é que as coisas aqui possuem uma escala ainda maior.
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| Diga oi para Heller; Prototype também se rende aos estereótipos |
Dessa vez, Mercer não é o protagonista, muito pelo contrário. O jogador controla Heller, um ex-militar que ficou ensandecido ao descobrir que sua esposa e filha haviam morrido durante a contaminação do vírus espalhado pelo próprio Mercer, o que faz Heller querer, de qualquer forma, sua cabeça. Mercer, inclusive, infecta Heller com seu vírus especial, e transforma o cara em novo protótipo. Os motivos do ex-protagonista são desconhecidos no início, mas ele convence Heller de que o verdadeiro culpado pela morte de seus entes foi a Gentek, a mesma organização do primeiro game, e a Blackwatch. O anti-herói afro-americano, então, resolve atacar as bases dessas duas companhias, em uma Nova York dividida em três zonas de contaminação e renomeada para Nova York Zero.
Visualmente, o game apresenta uma boa evolução com relação ao original. Também, três anos depois, se o game não apresentasse nada de novo, teria sérios problemas. Ainda assim, há jogos como Grand Theft Auto que o superam em termos de área. O game está bem a par de inFamous, com uma cidade extensa o suficiente para acomodar toda a ação. Os NPCs nas ruas seguem um mesmo padrão: existem alguns poucos modelos diferentes de cidadãos esfarrapados que se repetem. Não chega a atrapalhar ou a criar a sensação de clone, mas dá para perceber. Já os monstros são bem feios. Toscos e mal feitos em alguns pontos. Fica difícil elogiar o trabalho de design deles depois de tantos games que vimos por aí como Resident Evil 5, Gears of War, até mesmo inFamous.
Às vezes dá a impressão de que eles tentaram ao máximo, com efeitos visuais, esconder certos aspectos meio grosseiros. Pelo menos a frame rate é regular. Já não podemos dizer o mesmo do sistema de câmera. Nos momentos de maior ação é fácil se perder, principalmente contra inimigos rápidos que saem da nossa visão com facilidade. Regularmente, o jogador vai usar a segunda alavanca para se achar novamente no meio da confusão. Outro problema técnico que detectamos é que muitas vezes achamos que vamos interagir com um determinado item mas acabamos interagindo com outro. Só é realmente chato quando queremos apenas pegar um soldado na surdina e não o carro que está do lado dele – acabando com o plano original.
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| Rapaz, que braço grande e cortante você tem! |
Para quem jogou o primeiro Prototype, não vai haver grandes mudanças nesse segundo. Mercer estava muito poderoso no final do game, mas aqui controlamos Heller, e ele começa do zero. Tomado pelo vírus, ele possui velocidade e força incomuns, além da capacidade de transformar seus membros superiores em armas letais. No início ele apenas esmurra, mas depois ganha garras, lâminas, braços que esticam e toda uma sorte de transformações bizarras que nos fazem esquecer que ele, até algumas horas atrás, era apenas um humano. Sua capacidade da causar estragos é gigantescas, ainda mais que ele pode segurar e arremessas veículos de médio porte, arrancar lança-mísseis de tanques e usá-los como arma e coisas do tipo – ele, diferente de Mercer, também usa as armas de fogo deixadas pelos agentes, dando uma incrementada na jogabilidade, e o sistema funciona muito bem. Ele também é capaz de planar, correr na vertical (ótimo para escalar prédios em segundos, deixando Cole, de inFamous, no chinelo) e, sua habilidade mais macabra e importante, absorver pessoas.
A absorção tem uma importante participação no jogo. Primeiro que absorvendo personagens-chave e, assim, capturando suas memórias, o jogador vai conhecendo mais da história. Segundo que com ela, Heller pode se passar por outras pessoas. Muitas das missões exigem que você se infiltre em locais sem ser notado, e para isso é preciso, por exemplo, se passar por um oficial da Blackwatch, um cientista da Gentek, coisas assim. É uma boa variada na gameplay, um ar de Assassin's Creed – sem o mesmo estilo, claro. Usando uma espécie de "visão mutante", é possível ver quem está no campo de visão de quem – somente quem aparece branco pode ser eliminado sem que o jogador seja visto em ação. Um a um, é possível acabar com um quartel inteiro sem ser notado e sem deixar rastros – excetuando pelas armas deixadas no chão, mas que todos tendem a ignorar. A IA não é do tipo "simulação", mas dá para o gasto.
Por falar em IA, há algumas sacadas legais nesse ponto, e outras nem tanto. Por exemplo, quando você está disfarçado de agente, os cidadãos tendem a querer distância de você, saindo da frente e, às vezes, até insultando-o (de longe). Se você se transforma na frente deles, pronto, o caos está instalado. Levantar um carro perto deles? É um "Deus nos acuda", como personagens desesperados saindo em disparada. E se você aparecer como Heller na frente dos agentes, eles ficarão automaticamente em alerta e o atacarão. Heller é capaz de se transformar na última forma absorvida, então é possível despistá-los se transformando longe da visão deles (faça isso na frente deles, e eles continuarão mandando chumbo). O sistema funciona razoavelmente bem.
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Heller é uma máquina de combate
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Há algumas coisas, porém, que são um pouco incompreensíveis, quase inaceitáveis. Há equipamentos que detectam a presença de Heller, mas em vez de disparar no momento que ele entra no raio de ação, a máquina apenas se "arma" (o que, para qualquer leigo, significa que o mutante está bem perto) e começa a apitar, em vez de simplesmente anunciar o perigo. É uma falha de design – eles poderiam ter arrumado uma solução mais inteligente, com certeza. Porém, o pior de tudo é quando você passa por um ou mais agente, começa a correr pela parede, eles o veem, mas praticamente o ignoram. Eles devem pensar algo assim "Caramba, também queria fazer isso. Por onde será que anda aquele mutante?".
Assim como o primeiro, Prototype 2 tem aquele elemento de jogos de sandbox, onde o jogador tem a opção de realizar as missões principais e seguir a história ou pegar missões paralelas. No entanto, as coisas ficaram um pouquinho mais sofisticadas. Hackear a Blacknet, o sistema online da Blackwatch, é um dos meios para se realizar essas sidequests, que envolvem, basicamente, atrapalhar os planos dessas organizações, eliminando cobaias, destruindo laboratórios, etc. Também em modo "Free Roam", o jogador às vezes encontra agentes ou grupos específicos agentes que, uma vez derrotados, dão bônus ao personagem, e lhe permitem evoluir. Essa evolução o torna mais rápido, forte, melhora sua regeneração, lhe dá habilidades de médio alcance – como uma em que ele mira em um inimigo e atinge todos que estão próximos a ele, fazendo uma espécie de teia que cola em objetos próximos e joga para cima deles. As opções para se matar nesse jogo são muitas e certamente ele vai saciar a sede de sangue de qualquer um. Quem jogou o primeiro perceberá que o esquema de evolução ficou um pouco mais livre. O jogador agora tem opções: ele pode escolher mais velocidade, mais força, melhor regeneração. Ele pode selecionar o golpe X ou o golpe Y, em vez de simplesmente esperar a mensagem avisando a habilidade tal foi desbloqueada sem que você participasse.
Uma pena que Prototype 2 oferece pouco em termos de longevidade. A campanha é relativamente longa, é verdade, mas não há multiplayer, nem modo algum online, nenhuma interação em rede. Ok, talvez essa não fosse a solução, mas depois de concluída a aventura, se o jogador não curtir a ideia de enfrentar tudo de novo em uma dificuldade maior, terá poucos motivos para manter o jogo na bandeja do videogame. Talvez procurar por todas as caixas pretas espalhadas pelo jogo (e contendo mensagens sobre a história do game) sirva para alguma coisa, mas não por muito tempo. Até mesmo as missões paralelas – aquelas que envolvem sabotar os planos da Blackwatch – ficam um pouco repetitivas mais para frente.
Prototype 2 é um bom jogo. Digamos que para um jogo não-AAA, ele até se sai bem. O primeiro, seguindo esse mesmo passo, vendeu mais de 2 milhões de cópias. A segunda versão, embora não represente um enorme salto em relação ao primeiro, melhora todos os aspectos, e oferece uma dosagem boa de ação e violência para os fanáticos pelo gênero. O game só peca um pouco na longevidade após a conclusão da campanha, mas até lá há muito o que fazer – mesmo que algumas missões sejam um pouco repetitivas. É um jogo que, no final das contas, vale o custo-benefício.
[Nota geral: 7,5]