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| Annie are you ok? |
Quando Michael Jackson se foi, em junho de 2009, o mundo chorou lágrimas na despedida de um ídolo de gerações. Cercado de polêmicas, o Rei do Pop deixou um legado repleto de músicas para se ouvir e guardar na memória e no coração, com letras marcantes e passos fenomenais, que fizeram a fama de sua carreira estelar. Michael, fã declarado de videogames, também deixou um legado para jogadores das décadas de 80/90, com o jogo Moonwalker, inspirado pelo filme de mesmo nome.
É verdade que Moonwalker não é exatamente uma obra-prima dos videogames, mas é um clássico inegável. Lançado em diversas plataformas, o título fez um bom sucesso por aqui, principalmente no Mega Drive, da Sega, que era diferente da edição de fliperamas, mas tinha lá seu charme, principalmente por conta das músicas de fundo que acompanhavam a aventura.
''Jacko'' chegou a participar de outros jogos, em pontas ou participações completas, como Space Channel 5, também da Sega, mas seu retorno aos games, estrelando um título exclusivo, só se deu após a sua morte. Na E3 deste ano, a francesa Ubisoft anunciou em forma de tributo o título Michael Jackson: The Experience, que prometia aos fãs uma série de músicas do artista, bem como os passos indefectíveis e uma série de outras homeagens.
Programado também para Xbox 360 e PlayStation 3, o jogo chegou primeiro no Wii, DS e PSP, sendo a edição para o console da Nintendo a ''principal'' delas, ao menos a que chamou mais a atenção dos jogadores. Obviamente isso se deu por conta da jogabilidade, pois, por enquanto, esta é a única versão que permite aos jogadores replicarem os passos da lenda do pop na telinha, enquanto os portáteis se resumem a um apertar de botões/tela de toque.
Na realidade, Michael Jackson: The Experience no Wii não pede que o jogador, necessariamente, mexa todo o seu corpo, já que ele captura os movimentos de uma mão, a qual segura o Wii Remote. Tudo bem, é estranho, mas o Wii não possui captura de todo o corpo. E, sinceramente, quem compra um game deste tipo sabe disso, mas ainda assim vai mexer todo o corpo para dançar e ''entrar na brincadeira'', certo? Contudo, essa jogabilidade não é inédita, já que ela é originária da série Just Dance, também da Ubisoft. Imagine que The Experience é uma versão de Just Dance com músicas e uma ''skin'' de Michael Jackson, e isso resume bastante as coisas por aqui.
Mas, não vá pensar que o jogo segue a ruindade vista no primeiro Just Dance. Ele está mais para o segundo, que apresentou melhorias e divertiu bem mais, como você leu aqui, em nossa análise. O novo game da Ubisoft não falha em prestar a devida homenagem ao Rei, mas também não falha ao entregar para o jogador uma experiência (The Experience, há!) que faça jus a uma sessão de jogatina com amigos, que é justamente o alvo principal deste título.
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| 'Cause this is thriller, thriller night! |
The Experience é um jogo bem simples, sem muitos menus ou opções extras/complicadas para atrasar as partidas. Há, basicamente, uma opção de jogo, que é DANÇAR. O restante do menu é composto por opções/configurações e tutoriais. Na verdade, são três as opções, nesta ordem: Dance, Dance School e Options. Como em Just Dance, não há algo parecido com uma ''campanha'' ou ''modo de carreira'', nem mesmo animações ou vídeo de introdução, o jogador é ''arremessado'' no menu principal e é isso aí, divirta-se.
A única coisa que achamos estranha nesse esquema inicial está relacionado ao tutorial – ou melhor, Dance School -, pois ele é ''destrancável''. No início, o jogador tem acesso a apenas dois vídeos, um de introdução, apresentando os ''professores'' em formato de vídeo (sim, com pessoas reais, filmadas), o que é muito legal e tudo mais. O problema, ao menos que achamos ser um problema, é que o restante dos vídeos são destravados a partir de suas performances no modo Dance. É preciso adquirir estrelas para ter acesso.
Por exemplo, o vídeo tutorial que ensina os movimentos-chave de determinada música precisa de 10 estrelas, que você pode obter justamente em todas as músicas, incluindo a própria. É estranho, pois o modo tutorial funciona meio que como o modo de carreira. Se é uma coisa para ensinar, qual seria o sentido de visitar a seção depois de jogar as músicas? Apesar deste probleminha, podemos dizer que o tutorial, pelo menos, engloba os principais passos, além de dar dicas valiosas de aquecimento, algo muito necessário para quem vai requebrar todo o corpo na frente da TV.
Mas, que tal conferirmos a jogabilidade principal em si? Como citamos, a coisa toda é bastante inspirada em Just Dance, mais especificamente em Just Dance 2. Pictogramas sobem na tela para auxiliar o jogador, que deve seguir os passos (o movimento da mão) de um modelo sósia de Michael Jackson. Esta foi uma jogada de mestre da Ubisoft, já que os sósias são bastante parecidos com Michael, cantam as músicas e performam os passos das canções. É possível perceber que são várias pessoas diferentes, já que há músicas que apresentam um Michael mais jovem ou mais velho.
O mais legal destes ''clipes'' é que eles são recheados de efeitos especiais, desde objetos voando pelo cenário a interações com o próprio Michael Cover. Em Smooth Criminal, por exemplo, o dançarino joga a moeda na máquina para começar a tocar a música. Já em Thriller, clássico dos clássicos, o jogador acompanha uma pessoa andando em uma sala escura, representando aqueles pesados passos no chão que podemos ouvir no início da canção.
Cada passo certo do jogador se traduz em acúmulo de pontos e soma de estrelas (que por sua vez destravam conteúdo no tutorial). Cada música possui um ou mais níveis de dificuldade, de forma bem peculiar. Beat It, por exemplo, pode ser jogada no modo Hard ou no Medium. No Hard o jogador precisa seguir os passos dos dançarinos de fundo, enquanto no Medium ele segue os passos de Michael. A situação contrária acontece em outras músicas.
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| ...It don't matter if you're black or white |
Se há espaço para dançarinos e o Rei do Pop, também há espaço para mais jogadores, por isso mesmo o game suporta até quatro participantes simultâneos. Jogar com todo mundo é o ápice da diversão do título, que não é nada menos que um típico ''party game''.
Já comentamos a parte gráfica, que na verdade não é nada demais, mas está no nível certo, sem exageros ou elementos pobres. O som está em muito boa qualidade, com as mais de 20 músicas do Rei do Pop muito bem representadas. Nosso único grilo vão para canções lentas, como Heal the World. Definitivamente, esse tipo de música, mais lentinha/baladinha, não funciona muito bem em um jogo de dança, que exige ritmo acelerado e emoção.
Michael Jackson: The Experience é uma verdadeira experiência entre os jogadores, fãs e o legado do Rei do Pop. Graças à sua excelente biblioteca musical, o game consegue ser o que um fã de Michael espera, ainda que tenha algumas coisas estranhas, que jogadores mais experientes podem implicar, como o modo tutorial disfarçado de carreira. É verdade que as músicas mais lentinhas não funcionam muito bem em um game do tipo, mas não há muitas condenações a serem feitas para o setlist. Qual é? Um jogo que agrega obras como Billie Jean, Thriller, Beat It, Smooth Criminal, Bad e Black & White (entre tantas outras) não pode ser tão ruim. E que venham as versões com Kinect e PS Move!