Ele é niiiiiinja!
Não adianta: quando um jogo é bom, ele é bom em qualquer plataforma. Se temos bons comandos, jogabilidade com boa resposta e uma mecânica funcional, o controle acaba sendo o de menos, desde que este consiga é claro, manter a experiência em seu padrão de qualidade. Mas a coisa fica ainda mais interessante quando a versão mais recente do game vem acompanhada de algumas melhorias, seja na sua jogabilidade ou na parte gráfica. E que tal a adição de novos estágios e desafios ainda mais cabeludos?
A conclusão é precisa: Ninja Gaiden Sigma é imperdível para aqueles que possuem um Playstation 3. Graficamente o jogo é um colírio, com inúmeras adições desde sua versão Black, lançada no Xbox. O jogo conta com suporte à resolução de 1080p, levando os entusiastas por gráficos ao delírio, sem contar as inúmeras texturas, objetos e aumento na geometria inclusos nos diversos cenários do jogo. Simplesmente indispensável para quem gosta de um bom game de ação.
Para quem não conhece o game, aí vai um pequeno resumo: em Ninja Gaiden, você entra na pele de Ryu Hayabusa, membro de um clã que em tempos remotos era conhecido como os Clã Dragon Ninja. O objetivo do clã era proteger duas místicas espadas, divididas pelo bem e mal, a Dragon Sword e a Dark Dragon Blade. Tudo começa quando sua vila é atacada e um grupo liderado pelo poderodo Vigoor Empire leva a maligna Dark Dragon Blade. Seu objetivo agora é vingar a morte de seus entes queridos durante o ataque e destruir de uma vez por todas a espada do mal.
Bem, quem jogou a franquia original vai achar a história um pouco estranha, mas tenham calma. Tudo não passa de uma adaptação, como se fosse um recomeço na série. Muitas características dos primeiros jogos foram mantidas, tal como alguns pequenos detalhes na história, que só serão descobertos por aqueles mais dedicados. O foco mesmo é a jogabildiade, tudo rápido e rasteiro. Os comandos possuem uma ótima resposta, tanto na decisão de ações rápidas como a execução de combos quanto no movimento, que é sempre preciso mesmo com o uso do analógico.
Em relação à versão Black, Ninja Gaiden Sigma possui uma variedade ainda maior de armas. Isso muda drasticamente a forma com que jogadores veteranos encaram o game, já que as estratégias de combate acabam ganhando um foco diferente dependendo do equipamento utilizado. Mas por que isso? Bem, cada arma possui sua própria combinação de combos, que vão crescendo a medida que o jogador faz melhorias nelas. Além disso, vários outros combos foram adicionados às armas que já existiam no game, como é o caso da própria Dragon Sword. Toda essa variedade oferece a chance para que cada um desenvolva sua própria maneira de jogar, buscando sempre a maneira mais eficaz de dar cabo de seus adversários.
Isso ganha um sentido especial quando finalmente conseguimos destrancar o Mission Mode. O modo consiste em vários estágios onde a batalha é o foco principal. São pelo menos 55 fases, onde cada fase possui 5 missões. A dificuldade é progressiva, beirando o insano, daí a necessidade de se aprender cada técnica de combate existente no game. As novas armas ajudam bastante neste caso já que elas acrescentam novas possibilidades de luta, algo bastante valorizado no modo. No final, sua pontuação é computada e seu lugar no Ranking mundial é mostrado, claro, se você quiser participar de tal ranking.
Mas não foi só o Mission Mode que sofreu alterações. O jogo inteiro foi bastante modificado, indo do design dos menus, passando pelos controles e chegando até a estrutura das fases. Os produtores decidiram colocar todo o controle no analógico esquerdo, dando então novas funcões ao direcional digital. Os botões de direita e esquerda servem para escolher sem precisar entrar no menu do game, algum tipo de item de recuperação, como poções. Pressionando para baixo, o jogador automaticamente usa o item, mesmo que esteja defendendo ou atacando. Isso adicionou uma dinâmica muito bem vinda às batalhas já que o jogador fica ciente o tempo inteiro sobre quantos itens de cura possui, além de fazer uso dos mesmos muito mais rapidamente, sem precisar perder o foco da batalha.
Também foi adicionado o suporte ao sensor de inclinação do controle SIXAXIS. Durante a execução de uma técnica especial, o jogador pode balançar freneticamente o controle, adicionando mais força a ela. O método pode parecer um pouco estranho no início, mas depois de um tempo fica comprovada sua eficiência. Mas talvez as mudanças mais significativas apenas apareçam no decorrer da história. Quem jogou o game no Xbox vai perceber que muitos elementos simplesmente desapareceram, enquanto outros surgiram do nada. Em geral estas mudanças serviram para dar mais sentido à história, além de deixar alguns estágios menos maçantes. Para acompanhar estas mudanças, temos a inclusão de vários inimigos novos, além de capítulos inteiros, o que acabou deixando o game um pouco mais longo e algumas vezes ainda mais difícil.
No Capítulo 5 por exemplo, o jogador entra no papel de Rachel, descobrindo um pouco como algumas coisas aconteceram. Por exemplo, em Resident Evil 2, o jogador deveria entrar na pele de Claire e Leon. Em vários momentos, alguns acontecimentos só ganhavam sentido ou eram completamente explicados após o jogador ter concluído as duas campanhas, já que o caminho dos dois se entrelaçava constantemente. A mesma coisa acontece em Ninja Gaiden Sigma. Será possível descobrir como algumas coisas aconteceram como a chegada de Rachel na Igreja ou sua captura por Doku em um momento mais adiante no game. Sem contar que a jogabilidade com ela é um pouco diferente, levando em conta a execução de alguns combos e até mesmo o uso de armas de longa distância.
A dificuldade do game sofreu alguns pequenos ajustes com estas modificações no cenário. A impressão que temos é de que os produtores quiseram dar foco nos combates, deixando os puzzles um pouco mais fáceis de serem resolvidos, ou pelo menos menos maçantes. O desafio dos Escaravelhos Dourados continua presente, mas desta vez não temos os games clássicos da série Ninja Gaiden para destrancar, uma grande mancada por parte do Team Ninja. No entanto eles possuem papel essencial em níveis mais avançados de dificuldade, já que algumas armas não estão disponíveis no cenário, sendo estas trocadas pelos escaravelhos.
A parte gráfica também sofreu uma bela mudança. Graças à alta capacidade dos discos de Blu-ray e a óbvia diferença de capacidade entre o Playstation 3 e o Xbox original, o Team Ninja conseguiu dar uma cara nova ao game, conferindo milhares de detalhes diferentes aos variados estágios do jogo, além de novas texturas, todas em altíssima resolução. Os inimigos também sofreram diversas modificações, desde texturas novas em alta resolução à total reformulação de seu design. Vale lembrar que o game agora oferece suporte à 1080p, continuando com uma frame rate bem alta, sem queda alguma. Um colírio para os olhos. Outro fator interessante é que existe a opção de instalar o game no HD do console. Isso garante loadings que duram poucos segundos, agilizando bastante as partidas. O som também ganhou maior definição e aqueles que tiverem um bom sistema de Audio em casa vão ter uma grata surpresa.
Ninja Gaiden Sigma não é uma mera adaptação da versão lançada anteriormente no Xbox. O game foi bastante modificado, ganhando um foco maior nos combates, além de oferecer gráficos incríveis em 1080p sem apresentar queda alguma de frame rate. Os loadings são reduzidos a quase nada com a opção de instalar o game no HD, uma jogada genial da produtora. Infelizmente os games originais da série não estão presentes nesta versão, tremenda bola fora. Bem, não se pode ter tudo, e acreditem, Ninja Gaiden Sigma já é mais do que você poderia imaginar para o game. Obrigatório.