Uma noite alucinante na Espanha
Uma noite alucinante na Espanha, mas em grande estilo.
Era sábado, 9h da manhã mais ou menos, último sábado de 2006. O tempo estava nublado, frio até. Tinha acabado de tomar meu café com pão, e concluí que tinha tempo livre até a hora do almoço. “Maravilha, é hoje que vou jogar Shadow of the Colossus!”. E, como não tenho PS2, a solução foi recorrer à locadora mais próxima.
Chegando no local, me senti ainda mais tranquilo: a locadora estava praticamente vazia, e tinha vários PS2 vagos. Pedi humildemente ao atendente (gente boa, até) que disponibilizasse uma hora de PS2, com o Shadow of the Colossus.
Ok, até aí, tudo bem.O problema é que o jogo teimava em não rodar. Pensei: “É isso que eu poderia esperar da união entre CD pirata e videogame de locadora... tem jeito não, os PS2 daqui só rodam ''Uínguelévem'' mesmo...”. Depois de umas quatro tentativas, resolvi desistir, testar outro jogo. Foi então que falei, educadamente, com o funcionário: “Ah, ''tem galho não'', eu vou escolher outro jogo então... deixa eu ver... ah, coloca pra mim o Resident Evil 4, então.”. Resolvi escolher o RE4, já que ainda não tinha jogado e só lia e ouvia falar bem dele. “Vamos ver se ele eh bom mesmo”, pensei. Com sorte, o jogo pegou através de um programa HDLoader, carregado num dos PS2 que estavam lá.
Ah, agora sim! Começou o jogo. Telinha principal, modos de jogo. Escolhi o Story Mode, claro, e logo ouvindo a clássica voz sombria: “Resident Evil... Four”. Começou o jogo. Resolvi pular a “historinha”. Não que eu goste de fazer isso, mas eu tinha um limite de tempo para jogar, e resolvi gastá-lo jogando, não assistindo (exceto as cutscenes rapidinhas).
Muito bem. No início, nada de muito impressionante. Achei o esquema de visualização (pelas costas de Leon) muito bom desde que comecei a jogar, porém a câmera fica meio difícil de ser controlada quando, por exemplo, é necessário girar Leon para enfrentar algum inimigo que estiver atrás dele.
E os inimigos são realmente bizarros, com seus “Alli esta”, “Mátelo”, “Agárrelo” gritados de modo agressivo. Passados os primeiros desafios, cheguei à tal vila onde a filha do presidente estaria presa. Depois de algum tempo fugindo e matando aldeões enfurecidos, eis que me deparo com um sujeito com uma serra elétrica na mão e uma sacola de pão na cabeça! E, assim como outros aldeões, quando dava tiros no sujeito estirado no chão, ele não sentia nada, e ainda se levantava!
Resolvi então me esconder numa casa vazia, dentro da vila. Enfim, seguro... por pouco tempo, já que os aldeões insistiam em buscar minha cabeça, tentando quebrar porta e janelas! O negócio seria, então, ir para o segundo andar. Wow, lá, consigo encontrar uma shotgun “muito das batuta” e algumas balas. O impressionante é que tive de usá-la logo em seguida, para barrar os aldeões que invadiam o andar através da janela superior, usando uma escada! Depois de alguns aldeões sem cabeça e outros enviados pela janela do segundo andar até la embaixo, resolvi sair da casa, usando a outra janela, que me levaria para fora da casa até o telhado rebaixado. Eis que vejo uma escada... e um aldeão subindo nela! Logo, a opção de “chutar a escada” apareceu. “Humm, interessante”, pensei. Chutei a escada, e o aldeão foi junto. Logo, tive que correr mais, pois os sujeitos já tinha invadido a casa onde eu estava, e iam se aproximando de mim, inclusive o doidaço da serra elétrica!
Depois de morrer algumas vezes pela serra, mas, finalmente, prosseguir no jogo, eis que o sino da “capela” toca, causando uma espécie de hipnose nos aldeões. Os bizarros moradores, então, seguem até a maldita capela, e se trancam por lá. “Nossa, consegui”, respirei aliviado.
Prosseguindo com a história, deveria seguir e vasculhar os arredores da vila. Cheguei a uma parte onde havia alguns medalhões azuis, que, se destruídos, resultariam em algo que não me recordo agora (infelizmente...). Tive a chance de treinar tiro ao alvo, agora tranquilamente, já que havia, como dizia Leon, “neutralizado” os sujeitos do local.Agora sim pude comprovar a eficaz e eficiente jogabilidade do jogo: quando se usa armas, o jogo é quase um FPS, mas a câmera não nos deixa esquecer de que, antes de tudo, é um survival-horror. Tive a chance também de contemplar o ambiente, bucólico e sombrio, que caiu como uma luva naquele sábado nublado e frio.
Bom, prosseguindo no jogo, saí do local onde estava, e cheguei a um caminho. Havia silêncio, até demais. Com certeza, algo estava para acontecer. Eis que alguns malucos, do alto do morro, resolvem empurrar uma pedra enorme para cima do meu personagem! “Uau! Que massa, cara”, pensei. Então, o jogo tomou ares de “Indiana Jones”, numa câmera que me permitia ver Leon de frente, e a rocha logo atrás! Eu deveria então apertar o botão X rapidamente para fugir da morte, que vinha se aproximando! Eis que os comandos mudam, quadrado + círculo, se não me engano, para desviar! No desespero, acabei morrendo... Ah, tudo bem, tentarei de novo, então vou passar porque já estarei pronto para apertar os dois botões na hora certa. Eis que, na hora de desviar da rocha novamente, aparecem os botões... L1 + R1!? Outros botões! Ah, droga, o jogo zoou com a minha cara! E como não poderia deixar de ser, morri de novo. Porém, prossegui com sucesso da terceira vez (até que enfim!). Infelizmente, alguns minutos depois, meu tempo acabou...
Uma hora foi pouco para jogar essa maravilha, mas foi o bastante para perceber que o jogo é realmente diferente dos anteriores da série: em função do esquema de jogo (e atrativos como os minigames e interação com o cenário) e ambientação, a sensação de se jogar um survival-horror é muito maior. Apesar de poucos inconvenientes, com certeza Resident Evil 4, pelo conjunto da obra, redefiniu o gênero e revitalizou a série da Capcom. E, claro, me deixou com vontade de jogar mais. Tenho duas opções, então: ou gasto mais grana jogando na locadora, ou espero pela versão PC (se for lançada, claro).